sábado, 20 de maio de 2017

ICA BRASIL


ARQUITETURA CONTRA O CRIME - MARCOS ANTONIO AMARO

Arquitetura contra o crime

Por Marcos Antonio Amaro

Estudar o desenho urbano, projetos arquitetônicos, seu emprego e características com o objetivo de reduzir o cometimento de crimes em geral e da invasão a domicílios, especificamente, é o foco principal do livro: Arquitetura contra o crime, que não oferece uma receita de bolo, adequada a qualquer caso, mas sugere a discussão sobre um tema pouco abordado em que o criador de um projeto residencial, condominial ou urbanístico, pode minimizar suas vulnerabilidades. Desta forma, assaltos à residência ou invasão a prédios, que são, em regra, apenas caso de polícia, podem, muitas vezes, através de uma simples mudança em seu desenho, representar uma contribuição valiosa para prevenção de crimes dessa natureza.
Um indicativo que exemplifica bem o conceito e a filosofia constantes do livro é a grande quantidade de pichações; “grafites”, observadas nas grandes cidades de nosso país, que nos fazem questionar, ao observarmos os rabiscos no segundo ou terceiro andar de uma edificação, como uma pessoa conseguira alcançar aquele ponto. Podem ter certeza, que a arquitetura, aliada a pequena habilidade do agressor, proporcionou aquela façanha. Uma janela ou grade utilizada como proteção de um apartamento no primeiro andar poderá vulnerabilizar o segundo pavimento. Isto mostra que as ações devem ser planejanejas, em conjunto ou de forma coordenada, com inteligência e em comunidade. Um muro mal localizado, ao lado de uma marquise pode servir como um degrau para acesso a um pavimento superior. Um arbusto mal localizado pode servir como esconderijo para uma ação delituosa.

Ambientes que apresentem condições de visibilidade, em profundidade, potencializam o trabalho policial de observação e vigilância. O conceito de ver e ser visto, é fator de segurança pública. Os Projetos urbanísticos, que se utilizam deste conceito facilitam a segurança tendo em vista, que delinqüentes procuram atuar em momentos em que não haja testemunhas. Por outro lado os que, de alguma forma, possibilitem o ocultamento e a dissimulação, estimulam o cometimento de crimes e trazem a sensação de insegurança para os moradores e usuários. As favelas são exemplo perverso da utilização deste conceito, pois dificultam a ação policial  e  permitem que traficantes se ocultem e se entrincheirem nas suas vias estreitas e sinuosas.
Espaços públicos e equipamentos esportivos, da mesma forma que propriedades privadas ou de uso coletivo, devem contemplar a utilização da prevenção do crime através da arquitetura ambiental, PCAAA, a fim de reduzir custos futuros com medidas de segurança e proporcionar maior segurança ao público. Um ambiente pode determinar o comportamento do público - vide a utilização do metro no Rio de Janeiro, livre de pichações e de sujeira, lá, as pessoas não costumam jogar pontas de cigarro ou papeis no chão. Mas, ao sair modificam seu comportamento. Segundo Jane Jacobs, escritora americana estudiosa no assunto, um lugar mal cuidado tende a se deteriorar com maior rapidez e é mais propenso a ser utilizados por vândalos, criminosos e viciados, que encontram ali, ausência da ordem social, da qual permanecem à margem.  Além disso, o ambiente é fundamental na tomada de decisões quanto ao emprego de técnicas de policiamento e do efetivo necessário para se planejar um patrulhamento ou uma operação policial.
A prevenção do crime através da Arquitetura ambiental, PCAAA, constitui uma ferramenta importante de prevenção primária do crime, que estimula a participação da sociedade na segurança pública e na construção de nossas cidades, em constante ampliação e modificação para atender as demandas cada vez maiores de bem estar e segurança da população.